Após problemas técnicos, grupo se negou a continuar a apresentação, o que gerou revolta dos contratantes e do público. Integrantes chegaram a ser encaminhados à delegacia
O show da banda escocesa Nazareth gerou confusão na noite de domingo (11), em Campo Mourão, na região Centro-oeste do Paraná. De acordo com a Polícia Civil, por volta das 23 horas, o grupo apresentou duas músicas e, em seguida, negou-se a dar continuidade ao show. Segundo explicações da produção da banda, o vocalista Dan McCafferty, 66 anos, havia recebido descargas elétricas ao segurar o microfone enquanto cantava.
A interrupção gerou protestos do público e motivou uma discussão entre empresários da banda e contratantes da casa noturna onde a apresentação acontecia. Sem acordo com a banda para retornar ao palco, os proprietários do Espaço Unique, onde o show era realizado, acionaram a polícia.
Os músicos deixaram o local sob escolta da Polícia Militar e foram levados até a delegacia. Na saída, McCafferty foi atingido na cabeça por uma lata de cerveja atirada por uma pessoa não identificada entre o público presente.
Na unidade policial, os integrantes da banda escocesa foram submetidos a uma revista. Havia informações que eles aparentemente estariam sob efeito de entorpecentes. A polícia porém, não localizou qualquer substância com os músicos.
Liberados para voltar ao hotel, onde deveriam passar a noite, os membros da banda tiveram que sair às pressas da cidade. Um grupo de fãs, que estava no local do show, havia se concentardo em frente ao hotel, revoltados com a paralisação da apresentação. Uma van deixou a cidade sob escolta e os músicos foram para Maringá, a 90 km de Campo Mourão, onde passaram a noite e seguiriam em seguida para Caruaru (PE) onde têm show agendado para quinta-feira.
Oxigênio
Miécio Tezelli, sócio do Espaço Unique, contou que ao chegar na cidade, na tarde de domingo (11), a produção da banda solicitou a presença de um médico no hotel e a disponibilização de um cilindro de oxigênio. "Eles estavam agindo de forma estranha e falavam palavras desconexas", diz Tezelli. O médico que teria sido responsável pelo atendimento ao vocalista da banda confirmou a Gazeta do Povo que esteve no local. Sem querer ser identificado, ele disse que não poderia falar sobre o assunto em virtude da ética profissional. O cilindro de oxigênio teria sido levado ao camarim durante o show. Tezelli relatou que algumas pessoas que estavam no local disseram ter visto os músicos fazendo uso de drogas, antes de subir ao palco.
A confusão gerou um prejuízo calculado em R$ 50 mil para os proprietários da casa de shows em Campo Mourão. Tezelli disse que o público pagante poderá trocar o ingresso por outros shows agendados para os próximos dias. Ele tenta ainda um contato com a banda para tentar o ressarcimento dos prejuízos. Os músicos foram contratados de forma direta e receberam um cachê de R$ 30 mil pela apresentação. O produtor da banda no Brasil, identificado apenas como Marcos, não foi localizado para falar sobre o caso.