Pesquisas paranaenses buscam novos materiais para a produção de biodiesel;na UFPR, um grupo de cientistas trabalha com microalgas
O procedimento é feito por cientistas de áreas diferentes, incluindo bioquímicos e engenheiros mecânicos. As microalgas ficam em tubos d’água e se procriam com ajuda da luz solar. Para obter o biodiesel, é preciso transformar as algas em uma substância pastosa que, submetida a reagentes químicos, gera o biocombustível.
5% da composição do diesel comercializado no Brasil precisa ser de materiais alternativos e a soja é a opção mais utilizada, por ser de acesso fácil para os fabricantes. A obrigatoriedade existe desde janeiro de 2010.
O projeto é importante porque coloca a UFPR dentro de uma rede de estudos em busca de alternativas para o biodiesel.
O material é uma opção ao petróleo, considerado danoso para o meio ambiente por causa da emissão de gás carbônico, que afeta a camada de ozônio. Hoje, esse tipo de combustível é feito basicamente de óleo de soja, cujo preço varia conforme a cotação do mercado.
“A soja é uma commodity. Isso a torna mais cara, pois depende dos preços de mercado internacional. A prioridade de quem planta soja não é vender para fazer biodiesel”, explica Wellington Vechiatto, químico do Centro de Energias Renováveis do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
Desde janeiro de 2010, todo diesel comercializado no Brasil precisa ter 5% de sua composição feita de biodiesel. A obrigatoriedade fez com que a soja se tornasse a opção mais utilizada, pois era o material mais à mão dos produtores de combustível.
Experimental
Por enquanto, a construção de fotobiorreatores como os da UFPR ainda estão em nível experimental, o que aumenta o preço dessa tecnologia. O bioquímico André Mariano, um dos coordenadores do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Auto-Sustentável (NPDEAS) – departamento responsável pelo projeto na universidade –, afirma que o obstáculo do preço será superado com facilidade.
“O potencial da microalga é incomparável ao do plantio da soja. Com os três reatores que temos em funcionamento [na UFPR], temos capacidade de produzir até 2 mil litros de biodiesel por dia”, diz Mariano. Segundo ele, para abastecer 50% da demanda de combustível dos Estados Unidos com biodiesel de soja, seria preciso utilizar 20% da área de cultivo. As projeções para a mesma meta de abastecimento com biodiesel vindo de fotobiorreatores utilizaria 1% de área.
Outro ponto positivo é que esse tipo de organismo surge sem interferência humana, logo não precisa do mesmo tipo de cultivo que a soja. “Começamos coletando microalgas do lodo do Passeio Público, mas quando limpamos apareceram outras com a água da torneira – que ficaram porque gostaram do modo como são iluminadas dentro do reator”.
Matérias-primas
As microalgas não são a única aposta dos pesquisadores do Paraná para substituir a soja como matéria-prima do biodiesel. No Tecpar, uma equipe de cientistas, da qual faz parte o químico Wellington Vechiatto, testa novos produtos para a produção de combustíveis sustentáveis desde 2006.
Na lista de ingredientes estão vegetais como cártamo, linhaça, mamona, pinhão manso e girassol. O problema envolvendo essas plantas é a falta de incentivo para a produção em escala, o que acaba inviabilizando e encarecendo a produção de biodiesel.
De acordo com Vechiatto, o processo para transformar outras plantas em biodiesel é basicamente o mesmo da soja. O mais comum, é utilizar a transesterificação, uma ração química que, com o auxílio de um catalisador, faz com que o óleo vegetal se torne combustível.
“Fazemos o mesmo com óleo residual [que sobra das cozinhas]. Temos uma parceria com o município de São José dos Pinhais [na Região Metropolitana de Curitiba]. Mensalmente, transformamos o óleo em biodiesel para um ônibus que circula na cidade”, afirma. O experimento do Tecpar dá uma ideia de como serão as coisas se essas pesquisas avançarem.
