Gazeta Maringá

Lei da Muralha

Empresário é preso em Londrina acusado de subornar vereador

Anderson Fernandes teria oferecido vantagens a Roberto Fú (PDT), autor de um projeto para derrubar a Lei da Muralha, que restringe a instalação de grandes supermercados na área central. Também foram cumpridos mandados contra sócio do Super Muffato

22/06/2012 | 08:45 | atualizado em 22/06/2012 às 17:33 | Fábio Silveira

O proprietário do depósito Sanderson, que atua ramo da construção civil em Londrina, foi preso por policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta sexta-feira (22) acusado de oferecer propina ao vereador Roberto Fú (PDT). O objetivo do acusado era evitar que o projeto que derruba a chamada Lei da Muralha , que restringe a instalação de grandes supermercados e lojas de material de construção no perímetro urbano da cidade, voltasse à pauta da Câmara. Também foram realizados mandados de busca e apreensão na casa de um dos proprietários da rede Super Muffato de supermercados.

A prisão foi confirmada ao JL pelo promotor do Patrimônio Público Renato de Lima Castro. O empresário Anderson Fernandes, proprietário do depósito Sanderson, foi encaminhado para a sede do Gaeco. Ele teve a prisão temporária decretada por corrupção ativa.

Como foi encontrada uma arma na casa de Fernandes, onde foi preso, o empresário também está detido em flagrante por porte ilegal de arma. Ele é suspeito de ter oferecido R$ 40 mil para o vereador Roberto Fu (PDT) "parar de mexer" com o projeto que acaba com a Lei da Muralha. Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta manhã em Londrina. Quatro deles em locais relacionados a Anderson Fernandes, dois ligados a Ewerton Muffato, um dos dos sócios da rede Super Muffato de supermercados. Um dos mandados foi na casa de Muffato e outro no centro de distribuição do mercado.

A assessoria de imprensa do grupo Muffato divulgou uma nota oficial:

"A diretoria do GRUPO MUFFATO vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.

Até o presente momento, o departamento jurídico do Grupo Muffato não teve acesso aos documentos relativos aos fatos divulgados pela imprensa no dia de hoje.

Sendo assim, o Grupo Muffato encontra-se impossibilitado de se manifestar com clareza e fundamento sobre esse assunto.

O Grupo Muffato manifesta sua confiança na justiça colocando-se a disposição para prestar os esclarecimentos necessários".

Vereador teria recebido oferta de R$ 40 mil

O vereador Roberto Fu (PDT) informou que foi procurado por Anderson Fernandes no começo de março. Na primeira reunião, o empresário levou junto Ewerton Muffato. Nesse primeiro encontro foi tratado de uma obra que está sendo executada por Fernandes. A obra na zona sul abrigará uma loja do Super Muffato.

A segunda reunião aconteceu em abril, dessa vez só com Fernandes. Conforme Fu, o empresário passou a oferecer dinheiro e chegou a falar em "R$ 40 mil ou mais". O pedetista afirmou que assim que o empresário passou a falar em dinheiro, comunicou o Gaeco e passou a gravar todas as conversas, inclusive as telefônicas.

As conversas recuaram em abril, quando foram feitas as prisões na denúncia de compra de votos na Câmara. Chegou a ser marcada uma data de entrega para a propina, que seria feita na Câmara, na véspera do feriado de Corpus Christi. Policiais do Gaeco estiveram na Câmara, mas a bateria de depoimentos na CP da Centronic, na véspera do feriado, provavelmente tenha espantado o corruptor.

Empresário pagou fiança

Em entrevista coletiva, o delegado Alan Flore informou que o empresário Anderson Fernandes pagou fiança de 20 salários mínimos por posse ilegal da arma apreendida na casa dele nesta manhã - uma pistola calibre 380, com um pacote de balas. Ele continua preso por conta do mandado de prisão temporária no caso da tentativa de suborno ao vereador Roberto Fu (PDT). Fernandes foi transferido para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL II) por volta das 13h30.

Flore não negou, mas também não confirmou que outros vereadores devem prestar esclarecimentos sobre a tentativa de suborno contra Fu. "Investigamos fatos que apontam nesse sentido", restringiu-se a afirmar o delegado.

Dois casos, seis prisões

Esse é o segundo caso envolvendo tentativa de suborno de vereadores nos últimos dois meses que termina em prisão. No dia 24 de abril, o ex-secretário de Governo e coordenador da campanha do PDT em Londrina, Marco Cito, e o representante da Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon) Ludovico Bonato foram presos sob a suspeita de oferecerem R$ 40 mil para o vereador Amauri Cardoso (PSDB) votar contra a abertura da Comissão Processante da Centronic (CP).

A mesma investigação levou à prisão, no dia 1º de maio, do então chefe de gabinete do prefeito Barbosa Neto, Rogério Ortega, o ex-diretor de participações da Sercomtel, Alysson de Carvalho e o vereador Eloir Valença (PHS). As investigações apontaram que o grupo ofertava propina e cargos na administração e prometia financiamento para campanhas eleitorais para vereadores dispostos a apoiar o prefeito Barbosa Neto na Câmara.

Destes, apenas o vereador está em liberdade. Ele foi preso temporariamente por cinco dias, e não teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Valença foi reconduzido ao cargo de vereador em 23 de maio.

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